midnight cowboy

a noite que ferve
o álcool que escorre pelas veias
o coração que queima mentiras.
ontem eu acordei com uma arma na mão
carros iam e vinha em minha direção
passando rente embaixo da minha cama
surpresas desapontadas pelas calçadas
a caminho de casa ela me falou
qualquer coisa sobre se perder
e se machucar e assaltos relâmpagos
mas naquele tempo eu ainda não me preocupava
só queria ir, ir com o vento
sendo levado a esmo
uma volta inteira dentro do meu travesseiro
o mundo de pernas pra o ar
e nós dois em guerra, sangue nos lençóis
no fim, bem lá no fim o desespero é um só
que a porta se feche antes da hora
Deus tinha uma grande espada em suas mãos
enquanto corríamos à beira do desfiladeiro
gosto de ver os corpos se espatifarem
contra os rochedos, todos em busca do mar
roubaram o mar da minha cidade
dizem que foi numa noite de abril
enquanto o céu dormia
e alguns homens desfilavam felicidade
sapateando poeiras a bordo de um navio.
na cozinha minha mãe ouvia roberto
lhe perguntei qualquer coisa sobre ir
ir com o vento, sem ter que voltar
me respondeu com os olhos
tom fast valsava com o tempo
palavras não precisam mais fazer sentido
desde que abril se foi e com ele você
já não sei remendar meu coração partido
outra vez, a vida é um arremedo de pulsações
sem perfume novo ou beijo quente de amor
ela tinha um belo par de pernas.

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