Transa

Desencaixotei os vinis. Estava com vontade de ouvir London, London, deitado no sofá da sala com um vinho barato. Ainda lembro das tuas curvas do teu corpo. Jóia ainda tem o teu hálito que você derramava sobre mim, ofegante, impávida, enquanto transávamos no sofá da casa dos teus pais. Cigarros, vinhos e Caetano, depois a correria pra limpar a bagunça toda, antes que seu pai entrasse pela porta. Daí vinha o Transa, enquanto você contava tuas piadas sem sentido. You Don’t Know Me. Eu conhecia o teu corpo, ah como eu conhecia aquela tua pele branca cor de leite, borrada de sardas, conhecia os teus dedos que você passeava ávida por mim. Nunca me sentia só. O seu ar revolucionário provocando minhas fantasias, os seus clichês, incenso perfumando a casa, a saia hippie. Eu gostava daquele grande clichê que você era. Godard, Bertold Brecht, Chico, que você não trocava por ninguém, com quem devia ter os teus pequenos/grandes silenciosos, trancada em teu quarto. Chico nunca mais foi o mesmo pra mim… Eu quis assassiná-lo. Juro que quis. Não me pergunto por onde você andará, o que me interessava ficou lá atrás, naquelas tardes.

*um texto avulso, em prosa, como há muito eu não fazia, desde da época do gamella, acho. Acho, também, que perdi a mão… rs

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2 Respostas para “Transa

  1. O estilo gameliano é o estilo gameliano.

    Heim, você deve estar trabalhando muito, não?
    Ou está de saco cheio com os blogs?

    Abraço.

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