Das coisas que chegam ao fim

o céu ainda estava lá
fosse julho, quem sabe
desamarrotou o terno antigo
limpou os sapatos gastos
se pôs pela rua:
jornais debaixo do braço,
broche na lapela,
o mesmo rosto nos reflexos,
nos vidros dos edifícios espelhados.
talvez fosse para um samba,
a gafieira do cafetina café.
ainda era cedo,
cedo do dia, talvez não da vida,
ao menos era o que achava.
“o amor é um desperdício,
uma faísca”
era em tudo o que conseguia pensar
quando a pólvora quente
saiu zunindo pelo vão da tarde.

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2 Respostas para “Das coisas que chegam ao fim

  1. “o amor é um desperdício,
    uma faísca”

    triste esse poema.

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